O Radar de Bondade do Arthur
Idades 6–8
Arthur descobre um superpoder discreto, o de perceber os pequenos sinais de tristeza que as outras crianças deixam passar, e passa um dia inteiro usando gestos de bondade secretos, divertidos e corajosos para animar três amigos, sem nunca precisar de aplauso.

Arthur tinha um superpoder secreto. Não era voar, nem ter superforça. Era algo mais calminho: ele conseguia perceber um sentimento triste lá do outro lado de um pátio cheio de gente. As crianças chegavam aos poucos, de mochila balançando, e o portão rangia abrindo e fechando. O caderninho dele esperava no bolso. Hoje, ele sentia, ia ser um dia de três bips.
Bip. O radar dele apitou. Do outro lado do pátio, estava sentada sozinha no banco, olhando para os próprios sapatos em vez de rir com os outros. A mochila listrada dela pendia ao lado, toda murcha, como se também estivesse triste. — Aí está o meu primeiro bip — sussurrou Arthur, e foi direto até o banco.
Arthur não perguntou o que estava acontecendo. Ele abriu o caderninho, achou um desenho antigo, arrancou a folha e a deslizou pelo banco: “Ninguém faz careta engraçada como você. Quer provar?” piscou, desdobrou o papel e uma risadinha escapou antes que ela pudesse segurar. — Tá bom — disse ela —, mas só porque você pediu com jeitinho.



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