Helena e o Megafone do Jogo Justo

Idades 6–8

Quando as regras do quatro quadrados não param de mudar para tirar as crianças menores da brincadeira, Helena firma os dois pés no meio da quadra e fala em voz alta, clara e justa por todos, até pelo menino mais barulhento do pátio.

A capa de “Helena e o Megafone do Jogo Justo”

Na Escola Riacho Claro, recreio queria dizer uma coisa só: quatro quadrados. As linhas vermelhas e descascadas eram o lugar favorito de Helena em todo o pátio. — Uma mão só, todo mundo roda, todo mundo pode brincar! — essa era a regra que todo mundo sabia de cor. Helena adorava o quique da bola, o ritmo, a justiça da brincadeira.

Mas, nos últimos tempos, alguma coisa estava errada. Todo dia os maiores inventavam uma regra nova. — Criança pequena não entra no quadrado um! — gritou alguém. Carolina franziu a testa, com o caderninho na mão. — Já é a quarta regra nova da semana — resmungou. O estômago de Helena apertou. Qual seria a regra de amanhã?

, a melhor amiga de Helena e uma das menorzinhas do segundo ano, ficou do lado de fora da linha de giz, de braços bem cruzados. — Disseram que eu sou pequena demais. De novo — sussurrou. Helena sentiu um calorão formigar no peito, aquela sensação que sempre quer dizer que alguma coisa não é justa. Alguma coisa tinha que mudar.

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